|
Quando o romance ainda era uma novidade, os excessos
cometidos na escrita pelos autores daquela época não podem
mais ser admitidos no escritor do século XXI.
Um dos combustíveis do enredo
dos romances desta época era a coincidência Hoje, isso é
inadmissível. Hoje em dia, as exigências de realismo são
enormes. O leitor está bem menos dispostos a aceitar uma
trama que se baseia em coincidências. Não mantenha em
segredo para o leitor os relacionamentos coincidentes. Ao
contrário, revele o mais cedo possível em sua escrita esses
relacionamentos e no início do seu enredo. Nos romances
obviamente se aceitam e até se esperam finais felizes, mas
para finais excessivamente sentimentais já não se pode dizer
o mesmo. Também é preciso lembrar que nenhum livro pode
existir independente da cultura em que foi escrito. Na
Inglaterra do século XIX as pessoas queriam ler e de certa
forma viajar em fantasias melosas sobre o amor e vida
familiar. Queriam acreditar que estas imagens poderiam ser
reais e perfeitas e permaneceram por muitos anos intocadas
pela dura realidade da vida, decepções e dificuldades
existenciais e emocionais. O público atual, em sua maioria,
ainda quer acreditar na felicidade, no "happy end". Todavia,
têm consciência, também, que a união entre duas pessoas boas
não é garantia para uma vida feliz a dois e para sempre. Já
conhecemos muitos fatos para continuar a acreditar nisso: o
casamento de conto de fadas que leva o príncipe e a princesa
em menos de dez anos pede um divórcio também. O casal ideal
que é pego de surpresa em um adultério.
|