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Infantil

Uma tarefa difícil é selecionar, num universo enorme de publicações, um livro infantil de boa qualidade. O mercado editorial despertou para o enorme mercado editorial das crianças e decidiu fazer grandes investimentos de forma maciça nessa área. O resultado, não foi o considerado melhor para a cultura.

Adotaram-se critérios questionáveis e equivocados de ressaltar a importância do formato, tamanho, cor ou volume, em detrimento do conteúdo contido nas obras. O livro, seja ele de que categoria for, infantil ou não, tem que apresentar o mesmo conjunto de valores com, texto, ilustração, constituição física do livro etc. Muitas vezes, os pais estão em busca de livros para seus filhos sendo que o critério adotado para seleção se resume no visual. Raros são os que param para ler o que indicam a seus filhos. Na verdade a maioria das livrarias não disponibilizam acomodações adequadas para uma leitura preliminar, revelando o vício cultural da desvalorização do hábito da leitura. Também em alguns meios de comunicação, podemos perceber algumas resistências em valorizar a cultura infantil, incluindo livros, num espaço dedicado a ela com exclusividade. Mas mesmo com todos esses problemas temos publicações muito boas e cada vez mais encontramos novos empreendedores tentando melhorar o mercado editorial infantil com boas obras. Sempre será necessário pesquisar para se encontrar as obras de valor, assim como na música e em tantas outras artes. Um dos mais notáveis de nossos autores de livros infantis foi Monteiro Lobato que escreveu as histórias do "Sítio do Pica-Pau Amarelo". Das histórias que escreveu para os adultos, seu personagem mais conhecido foi o Jeca Tatu e é até hoje uma das figuras mais importantes da literatura infantil. A ilustração que é muito importante para os livros infantis da primeira infância, nasce de um processo muito delicado de desconstrução de um texto, que depois é reconstruído. A partir dessa leitura, o ilustrador vai fazer um contraponto com a palavra a um outro universo, que é o desenho, que também narra, e que é posto na frente das palavras para criar uma terceira coisa: o livro ilustrado. Portanto, o texto do livro ilustrado não é nem a palavra, nem a imagem: são as duas coisas juntas. O ilustrador paulista Odilon Moraes recebeu em setembro de 2006 o prêmio de melhor livro infantil da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) por Pedro e Lua (Cosac Naify, 2004), seu segundo trabalho como autor. Com setenta livros publicados e outros prêmios na bagagem, o artista vê seu ofício como o de um contador de histórias – que, por meio de seu desenho, dá “voz” à narrativa. O trabalho do ilustrador pode ser encarado a partir de vários pontos de vista: ora é um tradutor, ora um escritor, mas também é alguém muito próximo de um contador de histórias. O livro ilustrado tradicional é uma compilação de histórias orais.
 

 
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